domingo, 2 de maio de 2010

Casa do Estudante de Garanhuns se encontra em total abandono - Por Wagner Marques

Espaço que foi criado para abrigar estudantes que viessem de outras cidades para estudar em Garanhuns, aquela que a partir do ano de 1958 seria a CEPG (Casa do Estudante Pobre de Garanhuns), encontra-se em total estado de abandono. Quem passa pela Rua Pedro Rocha (ao lado do Parque Euclides Dourado), bairro de Heliópolis, vê logo em uma esquina, um prédio em completo desprezo. Mais parece uma casa fantasma. Enquanto se sabe que, nos dias atuais, certo número de jovens sofre ao aportar à “Cidade das Flores”, após aprovação em cursos universitários, com dificuldade para se instalar, se vê em plena ruína um prédio que poderia servir a estes estudantes. E pior, não há sinais de interesse, por quem quer que seja, em revitalizá-lo.

AS ORIGENS DA CASA – é impossível falar da história da Casa do Estudante de Garanhuns sem falar de Geraldo de Freitas Calado, seu idealizador e fundador. Mais impossível ainda é falar em poucas linhas sobre quem foi Geraldo. Entretanto, como convém, em linhas gerais, podemos dizer que ele foi o “Pai da Garanhuns universitária” e um dos mais respeitados juristas do Brasil. Limitaremo-nos à sua história com relação à Casa. Nascido em Correntes, em 05 de dezembro de 1933, ainda criança veio com seus irmãos morar em Garanhuns, trazidos pelos seus pais, Zacarias e Eulália, que decidiram na terra de Luís Jardim fazer morada. O Colégio Diocesano de Garanhuns foi a sua primeira instituição de aprendizagem formal. Muito destacado na escola, precocemente, aos 12 anos de idade, já liderava o “Movimento em Prol do Estado Democrático” na cidade, tempo em que não descolava os ouvidos do Rádio, no intento de ouvir os comícios transmitidos pelas estações do Rio de Janeiro. Aos 15 anos torna-se Presidente do Grêmio Cultural Ruber van der Linden. Ao completar 20 anos, foi eleito Presidente da UEG (União dos Estudantes de Garanhuns), onde viria a presidir por mais 4 mandatos. Torna-se vereador aos 21 anos, sendo chamado de “Vereador dos Estudantes”. Foi a esta época que Geraldo sonhou e lutou com mais afinco pela “Universidade Federal do Agreste Meridional de Pernambuco”, instalada em Garanhuns. Para tanto, surgia a necessidade de local que abrigasse estudantes que a Garanhuns viessem residir, por ocasião de realizar seus estudos na cidade. Antes disso, foi no ano de 1953, no dia 07 de setembro, que Garanhuns vivenciou a “Marcha Branca”, que foi um movimento que Geraldo encabeçou. Esta “Marcha” custou a Geraldo duas prisões, no mesmo dia 07: uma antes do ato, quando o julgaram “comunista” (de manhã); outra, por o julgarem “integralista”, depois do ato (já à tarde)”. “Não sou nem um nem outro, eu sou é estudante”, afirmava Geraldo na ocasião. A “Marcha Branca”Tratava-se de um ato público em que todos os estudantes da cidade desfilariam de trajes brancos pelas ruas garanhuenses, por dois motivos: o primeiro, pela instalação de uma Universidade em Garanhuns; e o segundo, para que todos presenciassem aquele que seria o lançamento do gérmen da “Casa do Estudante Pobre de Garanhuns”, isso diante do Sr. Celso Galvão, então prefeito da cidade, e de diversas autoridades políticas, religiosas e educacionais. Algumas pessoas olhavam com descrença para o anseio do jovem Geraldo.

CASA SE ERGUE – ainda no ano de 1953, depois de acatada a ideia de Geraldo, o abrigo para estudantes oriundos de outros lugares para a cidade considerada a “enevoada pérola fugidia”, no dizer de Marcílio Reinaux, começa a ser alicerçado; com o apoio do prefeito, que doou terreno pertencente ao município. Sua construção fora lenta. Não obstante isso, após 5 anos, a Casa do Estudante de Garanhuns foi entregue, mais precisamente no dia 02 de maio de 1958. Um dos dias de glória da Casa foi em 1968, quando se comemorou ali mesmo os 15 anos de sua concepção. Apesar de Geraldo naquele tempo, depois de Recife, já residir no Rio de Janeiro, veio à festividade, onde foi o homenageado e o mais reverenciado entre as autoridades presentes, não haveria maior justiça. Naquele dia, na Casa do Estudante de Garanhuns, se estampava enorme faixa com os dizeres: “Ao nosso benfeitor, Geraldo de Freitas Calado, as homenagens dos estudantes garanhuenses”, o que fez Geraldo se entregar à emoção durante sua fala. Em 1972 a Casa passou por reforma. Quando do término desta, Geraldo esteve mais uma vez na solenidade de entrega do prédio reformado, oportunidade em que foi um dos que hastearam uma das Bandeiras: do Brasil, de Pernambuco e da CEPG. Curioso foi que, durante as homenagens, Geraldo não aceitou o título de “cidadão garanhuense”, que os vereadores lhe conferiram na oportunidade, não se achando digno. Os anos se passaram e a Casa do Estudante de Garanhuns veio a fechar suas portas. No entanto, ainda não temos informações precisas sobre qual o ano que a Casa deixou de atender aos estudantes.

SITUAÇÃO ATUAL DA CASA – se veja que a Casa do Estudante de Garanhuns tem toda uma história, que infelizmente está ruindo por motivos vários: não há interesse da classe estudantil de Garanhuns em se mobilizar pela sua reativação; tampouco se viu nestes quase 6 anos anos da imediata administração municipal preocupação em revitalizar o local; o desconhecimento do que foi o prédio faz com que parcela da população garanhuense se mostre indiferente ao imóvel. Todavia, a Casa se encontra com acentuados sinais de desamparo, de arruinamento, vivendo uma indiferença sem igual. Até onde se sabe, a UESG (União dos Estudantes Secundaristas de Garanhuns) era que detinha poder sobre a Casa. Devido à visível falta de interesse sobre ela, e isso já vem há vários anos, se vê mesmo é que a UESG parece ter é o poder de exterminá-la definitivamente. Também, talvez que os representantes dos Diretórios Acadêmicos das Faculdades e das Universidades de Garanhuns pudessem se mobilizar. Ah, mas não, talvez eles estejam ocupados demais, se preocupando com qual banda tocará nas suas próximas “calouradas”.

PS.: Geraldo de Freitas Calado faleceu em maio de 2008, no Rio de Janeiro. Foi enterrado no Cemitério São João Batista. Estava morando na Barra da Tijuca. Exercia cargo de Procurador Federal.

Um comentário:

  1. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA



    "As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado



    O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA


    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato "JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA", paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.



    O CRIME DE LESA HUMANIDADE


    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS


    Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos



    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO


    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.



    RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5


    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;



    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA


    A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA


    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do "GEOPARK ARARIPE" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?



    A COMISSÃO DA VERDADE


    A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e pede que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    Paz e Solidariedade,



    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br
    http://twitter.com/REVISTASOSDH

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